VoltarDeclaração de Fé

No que cremos

As convicções doutrinárias que sustentam a vida e o ministério da Comunidade Cristã Vale da Graça.

1. O Deus Triúno

Cremos em um só Deus, que existe eternamente em três pessoas igualmente divinas: Pai, Filho e Espírito Santo, que conhecem, amam e glorificam um ao outro (Dt 6:4; Mt 3:16-17; Mt 28:19). Este único Deus verdadeiro e vivo é infinitamente perfeito, tanto em seu amor quanto em sua santidade (Mt 5:48). Ele é o criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, sendo digno de receber toda a glória e adoração (Ap 4:11). Imortal e eterno, conhece perfeitamente o fim desde o princípio (Is 46:10), sustenta e governa soberanamente todas as coisas (Sl 103:19) e, em sua providência, promove seus bons propósitos eternos de redimir para si um povo e restaurar a criação caída, para o louvor de sua gloriosa graça (Ef 1:5-6).

2. Revelação

Deus graciosamente revelou sua existência e poder na ordem criada (Rm 1:19-20), e tem se revelado de maneira suprema na pessoa de seu Filho, o Verbo encarnado (Hb 1:1-2). Além disso, este Deus é um Deus que fala: por seu Espírito, revelou-se em palavras humanas. Cremos que Deus inspirou as palavras preservadas nas Escrituras, os sessenta e seis livros do Antigo e do Novo Testamento, os quais documentam e são meio de sua obra salvadora no mundo (2Pe 1:20-21). Somente estes escritos constituem a Palavra de Deus verbalmente inspirada (Ap 22:18-19), com autoridade suprema, isenta de erro nos escritos originais, completa na revelação de sua vontade para a salvação e final em sua autoridade (2Tm 3:15-17).

Confessamos que tanto nossa finitude quanto nossa pecaminosidade impedem a possibilidade de conhecer exaustivamente a verdade de Deus, mas afirmamos que, iluminados pelo Espírito de Deus, podemos conhecer verdadeiramente a Verdade revelada de Deus (Jo 16:13). A Bíblia deve ser crida em tudo o que ensina, obedecida em tudo o que requer e confiada em tudo o que promete (Tg 1:22).

3. Criação da humanidade

Cremos que Deus criou os seres humanos, macho e fêmea, à sua própria imagem (Gn 1:26-27). Adão e Eva pertenciam à ordem criada que o próprio Deus declarou ser muito boa, servindo como agentes de Deus, cuidando, gerenciando e governando a criação, vivendo em santa comunhão com seu Criador (Gn 1:28). Homens e mulheres, igualmente criados à imagem de Deus, gozam de igual acesso a Deus pela fé em Cristo Jesus.

Adão e Eva foram feitos para complementar um ao outro em uma união de uma só carne, que estabelece o único padrão normativo de relações sexuais para homens e mulheres, de forma que o casamento sirva como uma tipificação da união entre Cristo e sua Igreja (Ef 5:31-32). Homens e mulheres não são simplesmente intercambiáveis, mas se complementam de formas mutuamente enriquecedoras (Gn 2:18; Ef 5:22-25). No ministério da igreja, ambos são encorajados a servir a Cristo e a desenvolver seu pleno potencial (Rm 16:1-6); o papel distinto de liderança dentro da igreja, dado a homens qualificados, é fundamentado na criação, queda e redenção (1Tm 3:1-7).

4. A Queda

Cremos que Adão, feito à imagem de Deus, distorceu essa imagem e perdeu a sua bênção original — para si e para toda a sua descendência — ao cair em pecado pela tentação de Satanás (Rm 5:12). Como resultado, todos os seres humanos estão alienados de Deus, corrompidos em todos os aspectos de seu ser e condenados à morte, exceto pela intervenção graciosa do próprio Deus (Rm 3:10-18; Ef 2:1-3).

A necessidade suprema de todo ser humano é ser reconciliado ao Deus sob cuja justa e santa ira nos encontramos; a única esperança está no amor imerecido deste mesmo Deus, que unicamente pode nos resgatar e restaurar para si (Ef 2:4-5).

5. O plano de Deus

Cremos que, desde toda a eternidade, Deus determinou, em sua graça, salvar uma grande multidão de pecadores culpados, vindos de toda tribo, língua e nação, e, com este fim, os conheceu e escolheu (Ef 1:4-6).

Cremos que Deus justifica e santifica aqueles que, por sua graça, têm fé em Jesus, e que um dia os glorificará — tudo para o louvor de sua gloriosa graça (Rm 8:29-30). Em amor, Deus ordena e suplica que todas as pessoas se arrependam e creiam (At 17:30; Jo 3:16).

6. O Evangelho

Cremos que o Evangelho são as boas-novas de Jesus Cristo — a própria sabedoria de Deus. Embora seja loucura para o mundo, é o poder de Deus para aqueles que estão sendo salvos (1Co 1:23-24).

Essas boas-novas são cristológicas, centradas na cruz e na ressurreição: o Evangelho não é proclamado se Cristo não for proclamado, e o Cristo autêntico não terá sido proclamado se sua morte e ressurreição não forem centrais (1Co 15:1-5). Esta boa-nova é bíblica, teológica e salvífica, histórica, apostólica e intensamente pessoal: quando recebida, crida e firmemente retida, as pessoas são individualmente salvas (Jo 3:16-18).

7. A redenção de Cristo

Cremos que, movido pelo amor e em obediência ao Pai, o Filho eterno tornou-se humano: o Verbo se encarnou, plenamente Deus e plenamente homem, uma Pessoa em duas naturezas (Jo 1:1,14; Cl 2:9). Jesus, concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria, obedeceu perfeitamente ao Pai, viveu sem pecado, foi crucificado, ressuscitou corporalmente ao terceiro dia e ascendeu ao céu (Fp 2:8; Hb 4:15; At 1:9).

Por sua encarnação, vida, morte, ressurreição e ascensão, Jesus agiu como nosso representante e substituto (Rm 5:18-19; 2Co 5:21). Na cruz cancelou o pecado, propiciou a Deus e reconciliou com Deus todos os que creem (Rm 3:24-25). Por sua ressurreição, foi vindicado, venceu Satanás e trouxe vida eterna ao seu povo (Hb 2:14-15). Não há salvação em nenhum outro nome (At 4:12).

8. A justificação de pecadores

Cremos que Cristo, por sua obediência e morte, pagou plenamente a dívida de todos os que são por Ele justificados (Is 53:4-5; Rm 5:18-19). Por sua perfeita obediência, satisfez as justas exigências de Deus em nosso favor; pela fé somente, essa perfeita obediência é creditada a todos os que confiam exclusivamente em Cristo (2Co 5:21).

Esta justificação é somente pela graça, a fim de que tanto a exata justiça quanto a rica graça de Deus sejam glorificadas (Ef 2:8-9; Rm 3:24-26). Um zelo por obediência pessoal e pública flui dessa justificação graciosa (Jo 14:21).

9. O poder do Espírito Santo

Cremos que esta salvação é aplicada ao povo de Deus pelo Espírito Santo. Enviado pelo Pai e pelo Filho, o Espírito glorifica o Senhor Jesus Cristo e está presente com os que creem (Jo 15:26). Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8) e regenera pecadores espiritualmente mortos, despertando-os para o arrependimento e a fé (Jo 3:3-5).

Pela agência do Espírito, os crentes são renovados, santificados e adotados na família de Deus, recebendo seus dons soberanamente distribuídos (Tt 3:5-6; 1Co 12:11). O Espírito é o penhor da herança prometida e capacita os crentes para viverem e servirem como Cristo.

10. O Reino de Deus

Cremos que aqueles que foram salvos pela graça de Deus, mediante a união com Cristo pela fé e pela regeneração do Espírito Santo, entram no Reino de Deus (Cl 1:13) e desfrutam das bênçãos da nova aliança: perdão dos pecados, transformação interior e a expectativa da glória (Jr 31:33-34; Rm 8:18).

As boas obras são evidência indispensável da graça salvadora (Tg 2:17-18). Vivendo como sal e luz, devemos fazer o bem à cidade, para que a glória das nações seja oferecida ao Deus vivo (Mt 5:13-16). O Reino — já presente, mas ainda não plenamente consumado — é o exercício da soberania de Deus no mundo (Rm 8:19-21; 1Co 15:24-25).

11. O novo povo de Deus

Cremos que o povo da nova aliança já veio à Jerusalém Celestial e já está assentado com Cristo nos lugares celestiais (Hb 12:22-24; Ef 2:6). Essa igreja universal se manifesta em igrejas locais, das quais Cristo é o único cabeça, conduzida por uma pluralidade de presbíteros qualificados (Ef 1:22-23; At 14:23).

A igreja é distinguida pela mensagem do Evangelho, suas ordenanças, sua disciplina, sua grande missão e, acima de tudo, pelo amor a Deus e pelo amor mútuo (Mt 28:19-20; Jo 13:34-35). Cristo é nossa paz, criando uma nova humanidade reconciliada com Deus pela cruz (Ef 2:14-16). A igreja serve de sinal do futuro novo mundo de Deus e é a testemunha contínua de Deus no mundo (At 1:8).

12. Batismo e Ceia do Senhor

Cremos que o batismo e a Ceia do Senhor são ordenados pelo próprio Senhor Jesus e, juntos, representam nosso voto público de submissão a Cristo, o anúncio da sua volta e o evangelho visível (Mt 28:19; 1Co 11:23-25).

O batismo é um sinal visível da união com Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição — expressão de arrependimento e fé, e ingresso na comunidade visível da nova aliança, administrado somente àqueles que depositaram sua fé em Jesus (Rm 6:3-4; At 2:38,41).

A Ceia do Senhor é uma celebração do sacrifício de Jesus, realizada pela Igreja visível, que ao comungar do pão e do vinho participa do mistério da comunhão com Cristo pelo Espírito, memorial da obra de Cristo na cruz e antecipação da sua segunda vinda (1Co 11:23-26).

13. A restauração de todas as coisas

Cremos na volta pessoal, gloriosa e corporal de nosso Senhor Jesus Cristo com seus santos anjos, quando exercerá seu papel final de Juiz e seu reino será consumado (Mt 24:30-31; At 1:11). Cremos na ressurreição do corpo de justos e injustos — os injustos para juízo e castigo eterno, e os justos para a bênção eterna no novo céu e na nova terra (Jo 5:28-29; Mt 25:46; 2Pe 3:13).

Naquele dia, a igreja será apresentada sem mácula diante de Deus pela obediência, sofrimento e triunfo de Cristo, todo pecado será expurgado e seus efeitos banidos para sempre (Ap 21:4). Deus será tudo em todos, e tudo será para o louvor de sua gloriosa graça.